País do nada
Ou nowhere man.
Estou escrevendo isso via celular.
Uma coisa assim, meio genZ. Sempre fui da opinião que texto importante exige um computador, exige um teclado. As vezes até um papel, uma caneta... I'm not sure. Mas tenho um amigo que fez todo TCC dele num iPhone (ele obviamente tem menos de trinta anos), o que muito me chocou. Sequer era um iPhone novo, aquilo era uma relíquia passada de mão em mão como herança.
Estou divagando, o propósito do post não é esse - encher de reclamações vazias um blog já lotado de reclamações vazias. Mas também... Qual o propósito desse post?
Nesse momento estou andando e escrevendo, voltando da escola do meu filho. Sei que não corro risco algum fazendo isso sendo moradora da comunidade. Isso é excelente e também terrível. Eu moro aqui mas não estou aqui, entende? Eu não sei o meu lugar. Não me sinto pertencente a canto nenhum, na maior parte do tempo. Não me sinto cria de nada.
Na verdade, sendo bem honesta: acho que o único lugar onde me senti em casa na vida foi em Petrópolis. E agora estou banida de lá como um pária social. Toda santa vez que penso em Petrópolis não ligo a ninguém mas alguém liga alguém a mim imediatamente, como se o André fosse um pedaço meu retirado a fórceps.
Tento não falar sobre Petrópolis com amigos porque é visível como tratam a questão. Tem pouquíssimas semanas que comentei que queria ir pra lá nas festas juninas e me olharam como se eu estivesse enfiando um crucifixo na minha bunda. Em público!
Mas eu não sei, eu juro que não sei: pra onde posso transferir meu Shangrilá? Pessoas normais não tem um Shangrilá. Então isso não faria sentido pra todo mundo.
É uma situação tragicômica a do peixe fora d'água. Tem mais de vinte anos que amo aquele maldito município mas agora ele virou uma piada de mal gosto. O peixe vivo tem que viver fora da água fria ou algo do tipo.
Existem ambientes que gosto de estar e me sinto bem de alguma forma (centro da cidade, igrejas católicas com torres bem altas, cinema escuro com cheiro de pipoca e manteiga, brechós, apartamentinhos pequenos cheios de tralhas antigas, praias) mas eu não me enfiaria por anos em nenhum deles - e eu não demoraria a me sentir exatamente como me sinto agora. Até meu quarto que era minha concha não me satisfaz como antes. Acho que isso é parte de ter sido a morada de alguém por nove meses... Talvez você deixe de estar em algum lugar e vire esse lugar.
Talvez nem em Petrópolis eu fosse feliz. Talvez eu me cansasse das praças verdejantes, de sentir o ouvido se fechando na subida da serra. Do barulho do aquecedor. De comer comida alemã extremamente gordurosa. Mas só de falar nisso eu fico um pouco triste. Tenho vontade de chorar. Isso é amor, não é?
Não sei. Fico melancólica quando estou menstruada.
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