Cool girl.
Ou a mulher da minha própria vida
Ouvi muitas vezes, depois de adulta, que sou "apaixonante". Quando mulheres dizem isso o significado pode ser qualquer coisa. Quando homens dizem isso significa apenas duas: sou gostosa e tenho referências.
Homens gostam de espelhos, muito mais do que nós. Eles esperam que suas mulheres sejam bonitas e atraentes, sim, mas mais do que isso eles esperam que elas gostem de jogos, que elas gostem de filmes e que elas gostem de simplesmente tudo que eles gostam. Cinéfilos querem cinéfilas que concordem com suas opiniões, nerds querem nerds que saibam jogar Tomb Raider. E se você é uma bela mulher com um belo corpo e é boa em tudo isso, perfeito.
Alguns homens nem percebem isso mas a verdade é que o estereótipo de Magic Pixie Dream Girl existe por um motivo. E o motivo é que invariavelmente é só isso que eles querem.
Eu sou um prato cheio. Mas também sou um problemão.
Embora me encaixe em todos os quadradinhos (tenho um corpo bonito, gosto de cultura pop e faço piadinhas masculinas) também sou, GASP, um ser humano!? Infelizmente eu preciso de atenção, necessito de carinhos e cuidados básicos, tenho medos irracionais profundos, traumas de infância e adolescência, problemas com drogas, geralmente sou passional e chorona e, acima de tudo, sou extremamente feminina em meus modos e trejeitos. Uso barriga de fora. Cuido dos meus cabelos. Coisas estúpidas e fúteis me atraem como o açúcar atrai um zangão.
É difícil ser feliz quando se está limitada. Isso me aconteceu uma ou duas ou três vezes na vida. E só quando pulei fora eu percebi: viver em função de um homem me idiotizou.
O mais curioso nisso tudo é que alguns diriam que eu estou idiota agora, usando rosa, lendo livros de realismo mágico, assistindo a um vídeo de cinquenta minutos sobre todos os balões gigantes da parada anual da Macy's ao longo de quase cem anos... Porém estou livre e isso é ainda melhor do que parecer intelectual.
Sou curiosa, pró ativa, gosto de cinema, livros, conversas informais, propagandas antigas, desfiles de carnaval, músicas do Fagner, pintar minhas unhas uma vez por semana, fazer tranças no cabelo, comer sorvete de doce de leite com Nicolas na saída da escola, desenhar cubos sem parar em cadernos, usar Lip balm como blush, dormir de máscara para nenhuma luz me incomodar. E gosto de fazer sexo, namorar, ver tv de mãos dadas. Mas na verdade não gosto de homens, em geral. E quando estou com um homem espero que ele seja o menos homem possível.
Talvez eu pareça estar me gabando quando digo que sou apaixonante mas considero uma maldição terrível. Eu gostaria de não precisar ouvir isso de ninguém. Nunca mais, eu juro. O peso de alguém te amar sem te conhecer de verdade é sempre muito grande, pra você e para o outro.
E amar deveria ser sempre bom.
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