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País do nada

Ou nowhere man. Estou escrevendo isso via celular.  Uma coisa assim, meio genZ. Sempre fui da opinião que texto importante exige um computador, exige um teclado. As vezes até um papel, uma caneta... I'm not sure. Mas tenho um amigo que fez todo TCC dele num iPhone (ele obviamente tem menos de trinta anos), o que muito me chocou. Sequer era um iPhone novo, aquilo era uma relíquia passada de mão em mão como herança. Estou divagando, o propósito do post não é esse - encher de reclamações vazias um blog já lotado de reclamações vazias. Mas também... Qual o propósito desse post? Nesse momento estou andando e escrevendo, voltando da escola do meu filho. Sei que não corro risco algum fazendo isso sendo moradora da comunidade. Isso é excelente e também terrível. Eu moro aqui mas não estou aqui, entende? Eu não sei o meu lugar. Não me sinto pertencente a canto nenhum, na maior parte do tempo. Não me sinto cria de nada.  Na verdade, sendo bem honesta: acho que o único lugar onde me sent...

Deep snow.

Ou o ar que eu respiro. O clima no Rio de Janeiro é sempre de uma bipolaridade irritante.  Esfriou o suficiente para me causar um ataque alérgico e uma crise de sinusite voadora terríveis. Mas ainda não está frio o bastante para usar casacos. Tenho insistido em, ao menos, começar com as mangas compridas pois tenho muitas camisas de manga longa no armário - herdadas principalmente da época em que subia a serra mensalmente... Uma pena que era obrigada a usar apenas as pretas, brancas e cinzas... Mesmo assim tenho muitas! - porém se me visto com elas passo um certo desconforto na rua.  Parece que ideal é usar camisas de meia manga e levar um casaco porque o tempo pode mudar do absoluto nada. E é sempre assim. Tenho a teoria, provavelmente correta, que qualquer deus ou santo responsável pelo clima odeia este lugar. No verão estamos entregues como uma tora de bacon em uma enorme frigideira mas no inverno não se consegue decidir se vamos morrer nadando em suor ou tremelicando depois...

Temporal.

Ou teatro das sombras. Acostumei com o silêncio. Dia quinze completo dez dias sem mais nenhuma rede social. Já estou fora do Facebook tem alguns meses mas só consegui abandonar o Instagram e o Letterboxd por completo dia cinco de abril - exatamente no aniversário do meu irmão caçula. Escolhi propositalmente uma data que eu pudesse gravar de maneira intuitiva. Funcionou. Nunca foi difícil, na verdade, mas está se tornando cada vez ainda mais fácil. Penso em postar um dump de fotos do meu mês no Instagram em algum momento de maio mas não tenho certeza se isso vai acontecer, embora eu esteja guardando as imagens em uma pasta especifica no meu celular. Then again muitos planos meus nunca se realizam e as coisas mudam o tempo inteiro quando se trata de mim. Extremamente humana e falha. Porém ainda sou uma gracinha! Terminei meu quinto livro em dez dias. É um negócio extraordinário pensar em como meu cérebro está criando músculos, neurônios se ativando e, ainda assim, fiquei uma hora hoje ve...

Ensaio sobre a cegueira.

Ou o que não posso ver Um dos meus maiores e mais ambiciosos planos para esse ano é fazer uma cirurgia para finalmente enxergar sem um trambolho em frente ao meu rosto, tapando todos os meus traços mais bonitos. E eu sei que parece (e de fato é) fútil reclamar dos meus óculos como se eu não gostasse deles por pura estética mas não posso negar que isso me afeta muito. Não apenas usar óculos virou um traço de personalidade minha para outros: virou uma característica principal. Existe todo um estereotipo direcionado a pessoas que precisam passar por esse inferno. De nerd desajeitada a simplesmente Betty, a feia. Passando pelo outro lado da moeda que é a fetichização interminável. Professorinha sensual. Secretária de hentai. Office siren. E, enquanto isso, eu tenho que limpar essa porcaria trezentas e noventa e duas vezes por dia porque as lentes estão sempre imundas sem que eu tenha feito nada para isso acontecer. Por causa das aulas de dança, resolvi usar agora aquelas cordinhas para seg...

Cool girl.

Ou a mulher da minha própria vida  Ouvi muitas vezes, depois de adulta, que sou "apaixonante". Quando mulheres dizem isso o significado pode ser qualquer coisa. Quando homens dizem isso significa apenas duas: sou gostosa e tenho referências. Homens gostam de espelhos, muito mais do que nós. Eles esperam que suas mulheres sejam bonitas e atraentes, sim, mas mais do que isso eles esperam que elas gostem de jogos, que elas gostem de filmes e que elas gostem de simplesmente tudo que eles gostam. Cinéfilos querem cinéfilas que concordem com suas opiniões, nerds querem nerds que saibam jogar Tomb Raider. E se você é uma bela mulher com um belo corpo e é boa em tudo isso, perfeito. Alguns homens nem percebem isso mas a verdade é que o estereótipo de Magic Pixie Dream Girl existe por um motivo. E o motivo é que invariavelmente é só isso que eles querem. Eu sou um prato cheio. Mas também sou um problemão. Embora me encaixe em todos os quadradinhos (tenho um corpo bonito, gosto de cult...

Cuca fundida.

Ou uma confusão contínua Pensei em não escrever hoje aqui. Começou quando percebi que minhas unhas da mão direita estavam se quebrando de tanto digitar (faço faculdade online mas geralmente meu uso no notebook é absolutamente passivo e tudo que anoto é a moda antiga, em cadernos. Mal digito qualquer coisa, que dirá textos. Para meu TCC geralmente também faço anotações como faziam os Maias e os Incas ou no celular - don't ask...) e a decisão foi chegando a um ápice quando comecei a sentir uma irritante dor de cabeça que, aliás, nunca passou. Tem muitas horas que estou assim. Nenhum remédio deu jeito. Geralmente detesto remédios. Gosto de apelar para receitas naturais ou a boa e velha força de vontade e distração para deixar dores e agruras de lado. Então ter usado medicamentos pra isso já demonstra meu desespero. Nada ajudou. Mas afinal isso aqui é um diário, não é? E de qualquer maneira preciso entrar no computador para estudar. Semana de provas.  O que custa um post? É tanta dor q...

Faces familiares.

  Ou a vaga sensação de reconhecimento Uns anos atrás - uma década ou pouco mais do que isso - a moda na internet era uma moça carioca aparentemente inteligentíssima chamada Jout Jout.  Eram tempos diferentes para criadores de conteúdo. E o conteúdo dela era apenas sentar em frente a uma câmera cuspindo alguns lugares comuns mas tudo bem, era disso que a gente acreditava que estava precisando naquele momento. O governo Dilma foi o enterro da minha adolescência. Não só isso mas eu estava recém casada naquela época, trabalhando como uma verdadeira condenada num emprego terrível em um shopping, sofrendo abuso de chefes incompetentíssimos... Então se uma magricela que falava sem parar quer me dizer o que devo fazer, quem sou eu? Me recusava a discutir. Ninguém achava aquilo tudo besta ou pobre de substância. Achávamos genial. Fiz parte de grupos de outros apreciadores da Jout Jout e, é claro, também fiz parte de uma corrente de e-mails baseados naquele filme chatissimo (que vem da...