Deep snow.
Ou o ar que eu respiro.
O clima no Rio de Janeiro é sempre de uma bipolaridade irritante.Esfriou o suficiente para me causar um ataque alérgico e uma crise de sinusite voadora terríveis. Mas ainda não está frio o bastante para usar casacos. Tenho insistido em, ao menos, começar com as mangas compridas pois tenho muitas camisas de manga longa no armário - herdadas principalmente da época em que subia a serra mensalmente... Uma pena que era obrigada a usar apenas as pretas, brancas e cinzas... Mesmo assim tenho muitas! - porém se me visto com elas passo um certo desconforto na rua.
Parece que ideal é usar camisas de meia manga e levar um casaco porque o tempo pode mudar do absoluto nada.
E é sempre assim. Tenho a teoria, provavelmente correta, que qualquer deus ou santo responsável pelo clima odeia este lugar. No verão estamos entregues como uma tora de bacon em uma enorme frigideira mas no inverno não se consegue decidir se vamos morrer nadando em suor ou tremelicando depois do banho. Já nem sei se devo ou não esquentar uma panela de água para tomar banho. Não consigo descobrir antes de já estar vibrando como um vareta ao vento debaixo da água.
Encho um balde e fico com o olhar fixado no vapor subindo me perguntando quantas vezes por semana ainda terei de fazer isso se quiser limpar meu cabelo.
Esta semana lavei a cabeça uma única vez.
E considero uma vitória!
Toda vez que esfria tem essa outra coisa que acontece comigo: fico ligeiramente deprimida.
Eu simplesmente detesto calor, detesto sol queimando minha pele e detesto ficar com cheiro de suor e sujeira vinte e cinco minutos após me trocar, detesto não ter posição na minha cama com o ventilador de chão sendo constantemente arrumado, detesto a sensação da testa úmida debaixo da franja molhada. Mas certamente meu humor sempre fica muito melhor no verão. Quando esfria eu me sinto extremamente down. Isso acontece toda vez.
Também fico autodestrutiva. Sinto vontade de fumar, usar drogas, beber. Sinto vontade de chorar. Uns meses atrás, quando isso aconteceu pela ultima vez, passei dias lendo mensagens antigas, prints de conversas, declarações de amor, declarações de guerra. Ouvia Between The Bars oitenta vezes em um dia, lacrimejando entre todas as repetições. Ouvia Souvenir e sentia falta de um homem que, além de feio, me tratava muito mal. Nunca entendi a relação entre ele e Souvenir, a letra fala de um homem com olhos azuis em uma suíte presidencial em Nova Iorque e eu estava sofrendo por um sujeito com cara de árabe que preferia se suicidar a gastar dinheiro comigo - mas, para mim, fazia sentido de alguma maneira.
Desta vez passei alguns dias meio mal. Ao menos romanticamente agora estou em paz, no lugar que gostaria de estar: estou feliz. Mas ainda existem milhares de outras coisas (medo do futuro, pressão da faculdade, maternidade, insegurança com minha situação financeira) que fazem essa depressão sazonal ser insuportável.
Me sinto um pouco como Bella Swan naquela cena em que os meses passam por ela sem que ela se mova de lugar.
Não estou de bode hoje e, no entanto, sei que estarei essa semana talvez. E daqui alguns dias provavelmente também estarei. Vamos aguardar. Ter a consciência que a culpa é de São Pedro e não minha me alivia bastante.
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